TJMT afasta cinco magistrados e apura juíza que gastou mais de R$ 10 milhões em itens de luxo
Cinco juízes afastados pelo TJMT neste ano sob investigação disciplinar
Fonte: Lucione Nazareth & Edina Araújo - VGNjur | Data: 2025-11-26 11:07:57 | Categoria: Cidades
A Corregedoria Geral do Poder Judiciário de Mato Grosso já afastou, em 2025, cinco magistrados de suas funções para apuração de irregularidades administrativas e disciplinares, sinalizando uma postura mais rigorosa da nova gestão no controle interno da instituição. Os afastados são: Anderson Candiotto, Tatiana dos Santos Batista, Renato José de Almeida Costa Filho (que já retornou às atividades), Silvia Renata Anffe Souza Alves de Moura e Mirko Vincenzo Giannotte. Estes dois últimos tiveram o afastamento determinado na semana passada.
Mirko Vincenzo Giannotte é titular da Vara Especializada da Fazenda Pública de Sinop (a 480 km de Cuiabá), enquanto Silvia Renata Anffe atuava na 2ª Vara Cível de Sorriso (a 398 km da capital).
Segundo informações apuradas com exclusividade pelo VGN, uma das juízas afastadas teria movimentado, em três anos, mais de 10 milhões em compras de itens de luxo, incluindo bolsas de grife, joias e outros produtos de alto valor, no próprio CPF.
A Corregedoria levantou notas fiscais junto a Secretária de Fazenda, comprovando que ela gastou muito dinheiro comprando coisas como roupas, sapatos, joias etc. Os valores vão de 3 a 10 milhões de reais, em 3 anos”, revelou uma das fontes ouvidas pelo VGN .
A intensificação das medidas disciplinares reflete o compromisso da atual gestão do Tribunal de Justiça com a transparência e a moralidade administrativa, princípios fundamentais para a credibilidade do Judiciário perante a sociedade mato-grossense, que, nos últimos anos, vem enfrentando sérios desgastes em razão de denúncias de venda de sentenças, decisões judiciais suspeitas, entre outras irregularidades.
Magistrados afastados
O primeiro magistrado afastado neste ano foi Anderson Candiotto, da 4ª Vara Cível de Sorriso, em 22 de maio, por suspeitas de envolvimento em um esquema de venda de sentenças.
Sete dias depois, em 29 de maio, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin, determinou o afastamento do juiz Ivan Lúcio Amarante, da 2ª Vara da Comarca de Vila Rica, no âmbito da 8ª fase da Operação Sisamnes, deflagrada pela Polícia Federal para investigar corrupção judiciária e lavagem de dinheiro.
Em 26 de junho, o Órgão Especial do Tribunal de Justiça afastou outros dois magistrados: Renato José de Almeida Costa Filho, da Comarca de Chapada dos Guimarães, e Tatiana dos Santos Batista, de Vila Bela da Santíssima Trindade. Renato José retornou às atividades em 14 de novembro, após 140 dias de afastamento cautelar, mas ainda responde a Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) que apura o descumprimento de deveres funcionais.
A juíza Tatiana dos Santos Batista permanece afastada e é alvo de sindicância que investiga supostas irregularidades na emissão de despachos genéricos, sem o devido impulsionamento dos processos.
Outro lado
A Corregedoria Geral da Justiça de Mato Grosso informou que, no ano de 2025, cinco magistrados foram afastados do exercício de suas funções, sendo que um deles já retornou às atividades.
Os procedimentos instaurados tramitam em caráter sigiloso, conforme previsão legal. Por essa razão, não é possível confirmar as motivações, a natureza das apurações, a existência de investigações sobre movimentações financeiras ou quaisquer outros detalhes relativos aos casos mencionados.
A Corregedoria reforçou que todas as medidas adotadas seguem o devido processo legal e as normas aplicáveis ao controle disciplinar da magistratura.