Salário Mínimo de 2026 terá aumento de R$ 103,00, saiba se houve ganho real com reajuste
Reajuste confirmado para janeiro eleva o piso de R$ 1.518 para R$ 1.621
Fonte: Mariana Saraiva - R7.COM | Data: 2025-12-11 05:36:35 | Categoria: Política
O salário mínimo terá um novo valor a partir de janeiro de 2026. O Ministério do Planejamento e Orçamento confirmou, nesta quarta-feira (10), que o piso nacional passará dos atuais R$ 1.518 para R$ 1.621, um aumento de R$ 103. O impacto no bolso do trabalhador, no entanto, só será percebido no pagamento feito em fevereiro.
Com o reajuste de 6,79%, surgem dúvidas entre os brasileiros: o aumento representa ganho real? E o valor ainda pode sofrer alterações?
O reajuste leva em conta dois fatores principais: a inflação acumulada, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC); o crescimento da economia, baseado no Produto Interno Bruto (PIB). Em outubro, o INPC teve alta de 0,03% e acumula variação de 4,18% nos últimos 12 meses, percentual que integra a conta. Já o PIB de 2024 foi revisado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 3,4%, número também considerado no cálculo.
Além de afetar diretamente quem recebe o piso nacional, o novo valor influencia benefícios como aposentadorias do INSS, seguro-desemprego e abono salarial.
Arcabouço fiscal limita o ganho real
Apesar da política de valorização do salário mínimo, o arcabouço fiscal impõe limites ao aumento real acima da inflação, permitindo um adicional entre 0,6% e 2,5%. Pelas contas de técnicos, o valor chegaria a R$ 1.620,99, mas, por força de arredondamento previsto em lei, o mínimo foi fixado em R$ 1.621.
Houve ganho real?
Em entrevista ao R7, o professor de economia do Ibmec Brasília, Renan Silva, explica que a reposição da inflação garante apenas a manutenção do poder de compra, enquanto o ganho real representa aumento efetivo acima dos preços.
“A reposição da inflação significa que o poder de compra do salário é mantido. Já o ganho real é o aumento acima da inflação, permitindo comprar mais bens e serviços. Para que esse ganho seja sustentado, seria necessário crescimento econômico contínuo e robusto do PIB, além da manutenção da política de valorização sem gerar pressões inflacionárias”, esclarece.
Segundo ele, o impacto real deve ser analisado na prática. “O ganho real em termos de cesta básica e serviços é mais relevante, pois traduz o aumento efetivo do poder de compra. O percentual de reajuste, por si só, pode soar abstrato.”
O valor ainda pode mudar?
Para Renan Silva, a chance de alteração é remota.“O valor de R$ 1.621 já foi confirmado pelo Ministério do Planejamento e Orçamento e deve ser incluído em uma Medida Provisória. Em geral, esse é o valor final que entra em vigor em 1º de janeiro, com pagamento em fevereiro.”
Ele ressalta que o próprio arcabouço fiscal impõe um teto ao crescimento. “O limite de até 2,5% acima da inflação garante que a despesa com o salário mínimo cresça de forma controlada, alinhada às metas fiscais.”