Justiça manda investigar possível milícia dentro da PM em MT
Pedido do Ministério Público cita homicídios, ocultação de cadáver e formação de milícia
Fonte: Rojane Marta - VGN | Data: 2026-02-14 06:34:29 | Categoria: Policial
Uma denúncia que envolve suspeitas de execuções sumárias, formação de milícia privada e ocultação de cadáver dentro da Polícia Militar de Mato Grosso levou a Justiça Militar a determinar a abertura de investigação preliminar contra oficiais e praças que atuam em Primavera do Leste.
A decisão é do juiz José Mauro Nagib Jorge, da 11ª Vara Criminal de Cuiabá Especializada da Justiça Militar, que encaminhou o caso à Corregedoria-Geral da PM para adoção das providências cabíveis, com urgência.
O pedido partiu do Ministério Público de Mato Grosso, com base na Notícia de Fato nº 000602-005/2026, instaurada a partir de informações recebidas pela Ouvidoria-Geral .
Na petição criminal, o promotor Henrique de Carvalho Pugliesi relata indícios da prática de homicídio qualificado, tentativa de homicídio, ocultação de cadáver, constituição de milícia privada, coação e abuso de autoridade, supostamente atribuídos aos policiais identificados como Cel PM Pelegrini, Cel PM Benhur, Sd PM Boa Morte, Cb PM Reinaldo, além de outros integrantes da corporação.
Segundo o documento, as ocorrências teriam padrão semelhante: abordagens com uso desproporcional da força, posterior registro das mortes como “troca de tiros” e indícios de possível implantação de armas para simular confronto.
Entre os episódios citados está uma ação ocorrida em 24 de novembro de 2025, na região do Vale Verde, em Primavera do Leste. Dois homens teriam sido baleados durante abordagem. Um deles morreu posteriormente em área próxima a um rio. O outro sobreviveu.
O Ministério Público também menciona ocorrência em 24 de janeiro de 2026, quando três jovens e uma profissional da área da saúde teriam sido mortos. Há suspeita de que o corpo da mulher tenha sido retirado do local e o caso registrado como desaparecimento.
Diante da gravidade dos relatos, o MP requereu a instauração de Inquérito Policial Militar ou procedimento investigatório correlato, com diligências como oitiva do sobrevivente, interrogatório dos policiais envolvidos e coleta de imagens de câmeras de segurança.
O magistrado determinou o encaminhamento imediato à Corregedoria da PM para análise e adoção das medidas necessárias.